Criatividade com prazo de validade?
- Alexandra Beça e Flávia Vilas Boas
- 1 de mai. de 2019
- 2 min de leitura
Num mundo repleto de criação e inovação, todos procuramos deixar a nossa marca. Ao longo da vida, o nosso organismo passa por mudanças que afetam a qualidade da nossa saúde, física e mental. Neste sentido, é importante tentar perceber qual a relação entre o envelhecimento e a criatividade.
Para Kenneth Heilman e Ira Fischler, a criatividade está intrinsecamente ligada à noção de “unitário”, defendendo que se trata muito mais do que criar algo novo, inexistente ou meramente útil. Isto significa que a criatividade é a capacidade de produzir um fio condutor, que une vários conceitos soltos numa só ideia (alcançado através da saída dos padrões rotineiros, levando ao surgimento de ideias novas). Pode-se, então, definir como uma expressão sistemática de relacionamentos ordenados.

Até que se atinja a luz, que é como quem diz chegar ao momento “eureka”, passamos por um conjunto de estágios mentais: preparação, incubação, iluminação e verificação (para os autores supracitados, estes dois últimos interligam-se).
É interessante perceber que o nosso músculo cerebral, que se divide em dois hemisférios - o direito, mais emotivo e volátil, e o esquerdo, mais analítico e rígido -, funciona como um todo.
Apostamos que está curioso para saber quais as características que podem influenciar a nossa atividade cerebral, não? Pois aqui estão:
Anatomia do órgão: Para além da divisão do cérebro em hemisférios, existe uma organização em áreas, conhecidas como os lobos. Cada um, dos quatro existentes, tem uma responsabilidade definida. Contudo, operam em conjunto, contribuindo para o desempenho do todo. Chamamos particularmente à atenção para o lobo frontal, uma vez que nos permite desvincular das ideias pré-concebidas e encaminhar para novos pensamentos. Graças à comunicação que ocorre entre as várias áreas, existe uma combinação entre conhecimento e habilidades, que são fundamentais para a inovação criativa.
Estruturas básicas: O elemento fundamental destas estruturas é o neurónio - na verdade, muitos neurónios! Eles organizam-se em várias redes, acabando por existir um fluxo de informação contínuo, feita pela passagem de substâncias químicas. Com a idade, as redes neuronais enfraquecem, acabando por danificar as suas normais funções. Isto quer dizer que o ser humano fica mais predisposto a sofrer alterações morfológicas, que irão afetar o seu desempenho cognitivo.
Neste momento, imaginamos que está a fazer contas ao número de anos que a sua criatividade tem pela frente… Não se precipite, pois, ainda que existam alguns estudos realizados, os próprios autores clarificam que não há uma pesquisa suficientemente sustentada que comprove esta relação.
Nota: Esta publicação insere-se na rubrica "Ciência da Criatividade", espaço onde se procura perceber de que forma a criatividade pode ser explicada através da ciência. Todas as publicações têm como base o livro "The Cambridge Handbook of the Neuroscience of Creativity".





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